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POSTS SOBRE DOCUMENTO DE POSIÇÃO OFICIAL (DPO) – ACESSO RÁPIDO

Caros, foram 3 postagens com dicas sobre como fazer um bom DPO e tornar todo o processo menos “doloroso”. Nos posts, vocês perceberam que com um pouco de estudo e dedicação essa tarefa acaba sendo bem simples!

POST 1: Dicas básicas sobre o que é um DPO, os elementos principais e algumas sugestões;

POST 2: Outras dicas sobre como escrever um Documento de Posição Oficial e uma lista em tópicos sobre tudo que deve constar em um bom DPO;

POST 3: Mais dicas para tornar o seu DPO prático e acessível e um bom exemplo de DPO.

E o seu DPO? Já está pronto? As dicas foram úteis?

Faltam poucos dias!

DPO – DOCUMENTO DE POSIÇÃO OFICIAL (POST 3)

Depois de um post introdutório e de algumas observações mais detalhadas sobre como estruturar seu DPO, vamos às últimas dicas e a um modelo de Documento de Posição Oficial.

Últimas dicas para produzir um DPO impecável:

  • Opte pelo simples: para comunicar sua posição com firmeza e eficiência, evite floreios e palavras complicadas. Ao contrário de um DPO com um vocabulário rebuscado, é a linguagem simples e objetiva que torna o documento bem feito;
  • Torne seu DPO realmente oficial: faça o possível para usar o brasão de seu país no cabeçalho do documento. Quanto mais próximo da realidade for seu DPO, mais os outros delegados terão o interesse em lê-lo;
  • Organize-se! Dê a cada idéia ou proposta diferente um parágrafo próprio. Assegure-se, se possível, que cada parágrafo comece com uma frase que resuma sua idéia principal;
  • Cite suas fontes: fatos e estatísticas devem ser citados, preferencialmente em notas de rodapé;
  • Leia e releia: separe um bom tempo para editar seu DPO. Pergunte a si mesmo se a organização do documento faz sentido e confira pontuação, gramática e ortografia com muita atenção;
  • Discurso: Se você planeja fazer um discurso de abertura na primeira sessão do comitê, que tal usar seu DPO? Um bom Documento de Posição Oficial serve como discurso de abertura e te ajuda a manter sua posição durante os debates;
  • Crie tópicos: se você tiver dificuldades em expor todas as suas propostas em texto corrido, faça uma lista em tópicos durante o desenvolvimento do DPO. O documento não pode vir em tópicos, mas as principais propostas sim!

Um bom modelo de DPO:

País: República de Cuba
Comitê: Organização Mundial da Saúde (OMS)
Tópico: Biotecnologia e Transgênicos
Escola: Centro de Estudos MINI-ONU

Desde que se tornou um país socialista, em 1959, Cuba sempre teve como prioridade o desenvolvimento científico, tanto para o crescimento econômico quanto como um instrumento de melhorias sociais. Sua economia planificada, alicerçada em ajudas financeiras vindas do bloco soviético, foi um fator determinante no progresso de determinadas áreas de pesquisa, em especial a recombinação gênica. Foi na década de 80 que o país se encontrou num intenso processo de desenvolvimento em relação à biotecnologia moderna. Esperava-se que esse setor pudesse facilitar a diversificação de produtos e a substituição de importações, essenciais para o progresso nacional, além de tornar a nação mais independente da tecnologia de transnacionais dos países industrializados, especialmente em relação à medicina.
A queda da União Soviética, em 1991, evidenciou a fragilidade do modelo desenvolvimentista cubano. O país era extremamente dependente da monocultura da cana-de-açúcar e praticamente todos seus produtos, inclusive alimentos de primeira necessidade, eram importados do Comecon (uma espécie de “assistência econômica” do bloco soviético) – que faliu junto com o socialismo na Europa. A necessidade de se implantar uma nova forma de desenvolvimento levou Cuba a investir tudo o que restava em três setores econômicos, sendo um deles a biotecnologia. Exemplos de resultados desa medida são o Centro de Ingeniería Genética y Biotecnología (CIGB) e o National Food Programme (NFP).
Objetivos da utilização da biotecnologia em Cuba:
1 – O aumento da produção de gêneros e de seu valor nutricional: Como o açúcar continua sendo o principal produto de exportação, Cuba precisa de aumentar a produção de outros gêneros sem reduzir a área açucareira. Além disse, frente à fome generalizada que atinge o país, é necessário suprir a deficiência do organismo através da criação de alimentos com maiores taxas nutricionais. As “biofábricas” em Cuba já criaram variedades transgênicas de cana-de-açúcar, batata, tomate, tabaco, banana e soja, com alta resistência a doenças e maior durabilidade;
2 – A produção de fertiizantes biológicos, herbicidas e pesticidas: No intuito de substituir a importação de defensivos agrícolas e fertilizantes, foi criado um plano de controle de pestes biológicas. Atualmente, a grande maioria desses produtos são nacionais e fabricados através da biotecnologia;
3 – A produção de recursos na área médica: O setor médico também vem sendo alvo da biotecnologia, principalmente com vistas a diversficar a pauta de exportações. Um dos principais produtos que é amplamente comercializado no mercado externo é a vacina contra meningite B, importada pelo Brasil, Uruguai, Bolívia, Nicarágua, países da Europa, África e Ásia. Outro produto de exportação é a vacina da hepatite B, comercializada na Colômbia, Venezuela e alguns países da Europa.
Cuba também se aproveita da biotecnologia para criar peixes transgênicos, como a tilápia, que se desenvolvem mais rápido e apresentam maiores portes quando adultos.
A enorme crise econômica vivida pelo país desde o início da década comprometeu bastante a pesquisa biotecnológica, que envolve treinamento especial, instrumentos modernos e patentes, tornando-se um gasto de certa forma insustentável. Apesar disso, Cuba ainda mantém um centro de pesquisas e desenvolvimento nessa área, no inuito de encontrar, cada vez mais, soluções adequadas para o problema da fome e da variedade de gêneros, principalmente no setor agrícola.
A posição oficial de Cuba é, portanto, a favor do uso de quaisquer produtos geneticamente modificados. Três ressalvas, porém, são imprescindíveis: 1 – há de se fazer uma intensa pesquisa prévia, acerca dos danos ao ser humano e às cadeias alimentares que possam ser alteradas. 2 – há de se controlar rigorosamente as áreas com plantio transgênico ou de criação de animais transgênicos; caso algum ser geneticamente modificado fuja de controle, as consequências para o ambiente são inimagináveis. 3 – os governos devem informar sua população dos riscos que os transgênicos podem acarretar à saúde e ao meio ambiente, bem como rotular obrigatoriamente tais produtos, de forma que o cidadão saiba o que ele está consumindo.

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Fulano de Tal

EMBAIXADOR – REPÚBLICA DE CUBA

FONTES:

UNITED NATIONS ASSOCIATION OF THE USA. Position Papers – Model UN Preparation Guide. Disponível em: <http://www.unausa.org/Page.aspx?pid=521&gt;. Acesso em: 10 ago. 2010.

ESPAÇO MINI ONU 10 ANOS. Documento de Posição Oficial. Disponível em: <http://espacominionu.blogspot.com/2008/06/documento-de-posio-oficial-dpo.html&gt;. Acesso em: 04 jul. 2010.

FALTAM POUCOS DIAS PARA O MAIOR MODELO DA AMÉRICA LATINA!

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DPO – DOCUMENTO DE POSIÇÃO OFICIAL (POST 2)

Olá, pessoal!

Em razão das dezenas de e-mails (foram exatamente 88) de delegados desesperados com relação ao DPO, vamos discutir mais detalhadamente como produzir esse documento. Lembrem-se, a redação de um bom DPO só é possível quando você já leu o Guia e buscou informações sobre o tema e a posição de sua representação.

COMO ESCREVER UM DPO

Escrever um Documento de Posição Oficial pode parecer complicado, especialmente para delegados iniciantes. Entretanto, com uma boa pesquisa e a dedicação de certo tempo e atenção à tarefa, seu DPO ficará excelente!

O padrão de DPO do MINI ONU tem apenas uma página. Como eu mencionei antes, seu documento deve incluir uma breve introdução, seguida de uma exposição detalhada da posição de sua representação durante os debates. Um bom Documento de Posição Oficial não contém apenas fatos e informações, mas também sugestões ou idéias sobre como deve ser a resolução do comitê (obviamente, você deve citar apenas suas expectativas com relação à resolução).

Ademais, tente responder no DPO algumas das perguntas propostas pelo seu diretor no Guia de Estudos. Dessa maneira, sua posição fica ainda mais clara e você consegue se orientar melhor na definição de suas estratégias de negociação.

ELEMENTOS DE UM BOM DPO

Caros, para que vocês tenham em mente o que colocar no DPO, segue uma breve lista de informações que fazem com que seu texto atendas às expectativas da equipe MINI ONU. Não se desespere se não conseguires incluir todos esses elementos, mas faça o possível para incluir pelo menos a maioria deles.

  • Breve introdução da posição do seu representação e da história da mesma no que se refere ao tema abordado;
  • Como o assunto do comitê afeta sua delegação;
  • As políticas adotadas pela sua representação no que se refere ao tema do comitê e, se possível, uma breve justificativa para essas políticas;
  • Citações de falas de líderes do seu país sobre o assunto a ser discutido;
  • Estatísticas que apóiem a posição do seu país com relação às discussões;
  • Ações tomadas pelo seu governo/representação no que diz respeito ao tema do comitê;
  • Convenções ou resoluções que sua representação assinou ou ratificou;
  • Ações de organizações internacionais apoiadas pela sua delegação, bem como ações vistas “com maus olhos” pela sua representação;
  • O que o seu país acredita, objetivamente, que deve ser feito para lidar com o problema proposto pelo comitê;
  • O que o seu país espera ser incorporado na resolução do comitê;
  • Como a posição dos outros países afeta a posição e as políticas de sua delegação.

Lembre-se: você não precisa incluir todos esses tópicos. Entretanto, quando você não conseguir a informação específica sobre algum deles, tente fazer inferências a partir de notícias, declarações e princípios de política externa. Se você representa uma uma organização internacional, visite o site de sua representação e busque informações sobre a história posição da mesma.

REFERÊNCIAS LIVRES:

UNITED NATIONS ASSOCIATION OF THE USA. Position Papers – Model UN Preparation Guide. Disponível em <http://www.unausa.org/Page.aspx?pid=521&gt;. Acesso em: 10 ago. 2010.

SE AINDA HOUVER DÚVIDAS…

Caso ainda tenham dúvidas, entrem em contato com o seu diretor ou comigo (Fernando Santana, Secretário Geral do 11˚ MINI ONU): sgminionu@gmail.com

Não conseguirei responder a todos os e-mail imediatamente, mas certamente o farei o mais rápido que minha agenda e os preparativos para o MINI ONU o permitirem.

No próximo post sobre o DPO, mais dicas sobre como elaborar seu Documento de Posição Oficial e, enfim, um exemplo.

Um abraço!

DPO – DOCUMENTO DE POSIÇÃO OFICIAL (POST 1)

Caros delegados, dedicarei dois ou três posts à discussão sobre a função , os objetivos e a redação do DPO.

Para aqueles que participam do MINI ONU pela primeira vez, o DPO é um documento impresso no qual o ator internacional detalha sua posição sobre o tema a ser tratado no comitê do qual faz parte. De maneira mais específica, esse documento deve deixar claro não apenas o que o ator “acha” sobre o tema, mas as medidas que o mesmo adota com relação ao mesmo (nacional e internacionalmente, se for o caso).

É importante ressaltar que o DPO deve conter apenas UMA PÁGINA. Não se esqueça, ademais, de indicar o nome do país e do delegado que o representa (bem como o colégio), logo no início do documento. Se possível, coloque no cabeçalho o Brasão do Ministério das Relações Exteriores do país representado. No caso de uma organização internacional, use a logomarca da mesma.

Creio que vale a pena pecar pela repetição: se eu represento a Mauritânia em um comitê que está discutindo “mutilação genital feminina”, a minha posição como delegado daquele país deve ser voltada para a defesa dessa prática, mesmo que eu, Fernando Santana, seja eventualmente contra tal ato. Não interessa muito a opinião do delegado sobre o tema. Lembrem-se, estamos trabalhando na elaboração do Documento de Posição Oficial. Para encontrar a posição oficial de sua representação, leia o Guia de seu comitê, pesquise, entre em contato com a equipe MINI ONU!

Se possível, imprima uma cópia colorida de seu DPO alguns dias antes do evento. NÃO DEIXE PARA PREPARAR ESSE DOCUMENTO NA ÚLTIMA HORA! Qualquer diretor percebe instantaneamente se o delegado se dedicou de fato ou apenas “deu uma passadinha”  na Wikipédia para elaborar sua posição oficial.

Atentem ainda para o fato de que o DPO deve conter informações concernentes à posição do ator internacional na negociação em questão. Logo, a informação sobre quantos habitantes tem o país só é relevante se tiver alguma relação com o tema do comitê. Se você discutirá segurança alimentar, é relevante fornecer informações como o número de habitantes e a produção interna de alimentos. Entretanto, isso tem pouca relevância se a discussão é um conflito em um outro continente. Não transforme seu DPO em um guia turístico, caro delegado.

Seja objetivo, use seu poder de síntese sem que o documento pareça vago e incompleto. Revise seu Documento de Posição Oficial para garantir que o mesmo não contenha erros gramaticais e ortográficos. Consulte amigos, entre em contato com o Secretário Geral (eu mesmo!) ou com o seu diretor. Dedique-se!

No próximo post, discutiremos a estrutura do DPO e estudaremos um exemplo.

Bons estudos!

[caso haja dúvidas/sugestões, comentem!]